O declutter do meu armário

19/07/2017

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

O Projeto Desapego

Após 6 anos desde o último super destralhe, tirei um sábado inteiro pra fazer um declutter no meu armário usando as dicas da Marie Kondo (método Konmari) para desapegar de pelo menos 50% do que eu tinha. A experiência faz parte do meu Projeto Desapego 2017.

Já fazia um tempo que eu abria o armário e via peças com as quais não me identificava mais. Blusas que ficavam no fundo da gaveta simplesmente por não se adaptarem mais ao meu corpo, cores que não ornavam com nada que eu tinha no armário, modelos que não caiam bem… a situação estava bem clara: eu precisava fazer um super declutter e montar meu armário-cápsula (ou minimalista). Antes de prosseguir, vou explicar alguns termos que usarei aqui:

ARMÁRIO-CÁPSULA

Conceito criado e usado pela blogueira Caroline Rector, do Unfancy. Consiste em separar uma determinada quantidade de roupas a serem usadas em cada estação e guardar as que não serão usadas em malas ou caixas. Assim, a cada estação se faz a troca e uma revisão do que continua, o que sai e o que pode ser adquirido.

Como aqui no Rio de Janeiro não vejo muito motivo em armazenar o que não usarei por causa das estações indefinidas, não considero que meu armário é cápsula, embora esteja disposta a usar os conceitos. Eu simplesmente prefiro deixar as peças mais usadas em uma parte do armário e as menos usadas (roupas de verão) em outra parte menos acessível.

ARMÁRIO MINIMALISTA

Consiste apenas em reduzir suas peças para o essencial de acordo com cada pessoa. Não é uma competição de quem tem menos peças, apenas me preocupo em ter apenas o que eu uso, gosto e combina com as outras peças.

Por estes motivos sempre uso os dois termos pra me referir ao meu armário. Gosto de falar também que é um armário inteligente, pelos motivos que citei acima: ter apenas o que gosto, o que combina comigo, em quantidade reduzida porém suficiente e que faça o máximo de combinação das peças entre si.

Esclarecidas as nomenclaturas, vamos à minha experiência pessoal.

O começo do declutter

Acordei cedo no sábado, tomei meu café e me preparei pro grande declutter do armário. A ideia era mexer apenas nas roupas e ter acabado antes do almoço, pra que eu pudesse fazer outras coisas que tinha em mente. Já adianto que me empolguei com a arrumação e aproveitei pra destralhar sapatos, livros, CDs e DVDs, acabando por volta das 18:30.

A primeira coisa que sempre faço é pegar vassoura, pá de lixo e garrafa de água. Varro todo o ambiente antes de começar, pois certamente precisarei colocar roupas no chão. A água é por um motivo bem óbvio: hidratar durante o processo. Faz bem.

Abri o livro digital da Marie Kondo pra rever as dicas e fui na parte justamente onde ela fala que é pra colocar TODAS as roupas em um só ambiente. Torci o nariz pensando na bagunça (e no fato de que eu ficaria sufocada com tantas peças) e decidi colocar apenas as camisas sobre minha cama. Foram muitas.

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Minhas camisas sobre a cama

Tirando tudo de dentro do armário

Olhando a quantidade de roupas que ainda estavam no guarda-roupas, pensei se não seria melhor tirar logo tudo de dentro e fazer como a japonesa sugere, e quando percebi, já estava colocando tudo no centro do meu quarto. Saíam roupas e roupas de cada gaveta, cada porta. fui até o cesto de roupa pra lavar e tinham umas 5 peças que também foram pro monte. No quartinho dos fundos, empilhadas estavam umas camisas de time, de esporte, que também foram pro monte.

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Olhei pra tudo aquilo e bateu o desespero: COMO EU TENHO TUDO ISSO?

É nesse momento que você não pode sentar num canto e desanimar. Pense nesse desespero como um gatilho para desapegar de pelo menos boa parte do que você tem. Se está desesperado com a quantidade de peças no centro do seu quarto, imagine-se tendo que mudar de país pra ficar 1 ano fora e tendo apenas uma mala grande para levar suas roupas preferidas. Esse tipo de pensamento foi muito útil pra me ajudar a pensar o que voltaria ao meu armário.

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

Com tudo isso no chão me pergunto: por onde começo?

Selecionando o que fica

Marie Kondo diz pra pegarmos peça por peça, abraçá-la e sentir se realmente temos afinidade por ela. Algumas nem precisou disso, só de olhar já me fazia recordar de situações desagradáveis. Aquele vestido novo que comprei pra sair linda com o namorado… no dia que ele terminou comigo em 2015. Ahhh esse vestido foi direto pra pilha de doação.

Usei alguns argumentos para selecionar as peças que voltariam pro meu armário:

  • está em bom estado?
  • se tem alguma avaria, é simples consertar?
  • a peça combina com outras que tenho no armário?
  • a cor é de uma paleta de cores que gosto e que combina comigo?
  • tenho outras parecidas e essa é a melhor dentre elas?
  • eu realmente amo essa peça e me sinto bonita usando-a?
  • o tecido é de boa qualidade ou logo vai se esgarçar?

Kondo fala pra começarmos pelas camisas. Fui então pescando aquelas que estavam de acordo com meus questionamentos, e quando olhava uma que não se enquadrava, separava em uma pilha no canto do quarto. Se era pra doação ou venda, eu decidiria depois. Não quis tomar essa decisão em cada peça que eu pegava pra manter o foco apenas no que eu queria manter.

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

A pilha foi aos poucos diminuindo. De camisas, passei pra casacos. Depois calças, bermudas, saias, vestidos… A sensação de olhar pro armário e ver tudo organizado, dobradinho ou nos cabides, mas com um ar clean, me animava a manter assim e me fazia ser cada vez mais criteriosa com cada peça ainda na pilha de roupas. Não queria encher novamente o armário, e peças que talvez eu pegasse de volta no começo da arrumação me despertaram o sentimento de “ah, vai, essa não. Desapega logo…”.

E foi assim que concluí o super declutter do meu armário. Com menos da metade das minhas peças de volta ao guarda-roupas, agora sinto que ficou mais fácil de escolher o que vestir. Logo liguei a máquina pra lavar algumas peças e separei algumas em uma só sacola pra venda e o restante em 4 sacolas pra doação. Empolgada, fiz a mesma coisa com meus sapatos, mas dessa vez fiz diferente:

Sapatos

Peguei uma sacola grande e fui até o quartinho dos fundos onde ficam meus sapatos (não entro com eles no quarto). Separei 3 pares pra levar pra casa de praia (assim posso deixar lá direto, sem me preocupar quando viajo) e em seguida, fui colocando na sacola tudo que eu não usava faz tempo. Não olhei pra trás, não revisei, apenas coloquei ali, sem dó, até encher a sacola. Com menos da metade dos pares na prateleira, organizei tudo bonitinho e pronto, novamente um espaço clean.

Tendo em vista que comprei um da Urban Flowers e estou esperando chegar (estou testando comprar sapato online e de uma marca sustentável, vegana e handmade), não tive pena nenhuma em me desfazer dos que eu tinha.

Com a sacola cheia, coloquei na sala próximo à porta da casa pra se juntar às outras 4 sacolas que ali estavam, prontas pra irem pra mala do carro.

Observações sobre o declutter

  • Limpei todo o armário antes de começar o declutter. Dá uma sensação ótima de leveza e ajuda a voltarmos só o que realmente amamos.
  • Algumas peças lembrava que foram presentes ou que minha mãe gostava de me ver usando (não necessariamente EU gostava).
  • Até roupas de yoga que pensei serem intocáveis acabei separando umas pra me desfazer.
  • Roupas indianas que também pensei que não mexeria acabei colocando também no declutter. Peças somo saias de seda e saris (que tive que comprar da India) não vão embora, mas saias mais de feirinha que nunca uso foram pra pilha.
  • Pra me inspirar, coloquei no youtube uma palestra da Monja Coen. Clique aqui para assistí-la, foi ótimo ouvir a voz calma dela durante a arrumação.
  • No último declutter doei meu All Star preto que eu tanto amava mas que estava encostado num canto faz tempo. Tinha ficado muito na dúvida mas hoje percebi que desde então nunca mais havia pensado nele. Não fez falta nenhuma! Isso me motivou a desapegar ainda mais.

A etapa seguinte foram meus livros, mas estes vou deixar pra um próximo post. Livros são sagrados pra mim, sou bibliófila e tenho muito apego ao papel, apesar de ler bastante pelo Kindle. Como livros são meus queridinhos, deixarei pra falar só deles depois.

OBS.: Todo esse processo foi um declutter inicial e bruto de tudo que não combinava mais comigo. Aos poucos, pretendo ir usando as peças, fazendo combinações, e selecionando o que realmente fica e o que pode ser passado adiante. Quando temos muitas peças é difícil ter essa consciência, mas quando reduzimos drasticamente a quantidade de peças, fica mais fácil avaliarmos o que vale a pena manter e o que não usamos tanto. Portanto, essa é uma fase inicial para depois de 1 mês avaliando o que tenho, ir montando um armário-cápsula com menos peças do que tenho no momento.

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5 comentários leave one →

  1. Adorei! <3
    Estou num momento em que sinto ser necessário um outro declutter mais radical, mas estou deixando pra fazer isso no próximo fim de semana. Por enquanto tenho feito uma limpa digital e estou me preparando pra migrar todo meu sistema de organização (GTD) para o papel, porque quero passar a ligar o computador apenas em momentos mais pontuais 🙂
    Só fico um pouco apreensiva de rever as roupas de inverno porque vou trancar esse semestre de faculdade pra estudar desenho em casa, e aí não vou usar muitas roupas que provavelmente no ano que vem vou usar mais. Mas ja tenho algumas na mira que sei que acabo nunca usando, assim como já fiz uma listinha dos livros que quero separar assim que eu limpar minha estante.
    A sensação de estar perto do meu suficiente é tão boa que sempre quero dar mais um passo 😊
    Vou ficar no aguardo da postagem sobre o declutter dos livros! É uma dificuldade grande pra mim. Nos últimos anos doei e vendi muuitos livros, mas sinto como se ainda tivesse mais do que o necessário…

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    • Ter um sistema em papel acho super interessante, assim não temos a desculpa de que “preciso ligar o computador por causa da organização”. Essa era uma das desculpas também que eu usava pra entrar no Facebook, já que administro o grupo e a página do blog.

      Quanto às roupas de inverno, coloque tudo sobre sua cama e junte peças parecidas (ex.: camisas brancas, jaquetas jeans) e escolha ficar com o que te veste melhor. Fiz isso e deu super certo! Às vezes temos peças repetidas. 🙂

      O post sobre declutter dos livros já está no ar! Vai lá conferir: http://vidaminimalista.com/desapego-livros

      Beijos!

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  2. adoro esse seus posts ♥️

    eu sempre estou me desapegando também e para mim virou uma rotina, por causa do armário sazonal.
    Mas as vezes é necessária essa pauta para algo mais bruto né? Faz toda a diferença.

    obrigada pro compartilhar conosco. é sempre muito inspirador 😀

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    • Eu sempre fiz pequenos desapegos, mas mesmo assim ainda tinha muita coisa acumulada. Às vezes precisamos sentar e tirar TUDO do armário e lidar com aquelas peças com as quais estávamos evitando faz tempo… é uma catarse! É bom demais! 🙂

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  3. ronise

    eu estou usando um armário capsula forçado porque estou grávida, no último trimestre, e um monte de roupas já não serve mais. aproveitei várias coisas da gravidez anterior (eu tinha guardado porque tinha a intenção de engravidar de novo), algumas que emprestei/ganhei de amigas e comprei algumas peças, mas não quis investir em muita coisa pois sei que logo não vou mais usar. ontem mesmo eu tirei mais um monte de roupas da parte principal do armário (blusas que não cobrem mais a barriga, principalmente) e facilita muito na hora de se vestir ter em mãos somente o que consigo usar. depois que o bebê nascer vou tentar manter o conceito.

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