Bhakti, Yoga

Íshvara Pranidhana: Entrego, confio, aceito e agradeço

18/10/2017

Íshvara Pranidhana: Entrego, confio, aceito e agradeço | Chandrika Yoga

Nós, seres humanos, somos controladores por natureza. Queremos o tempo todo manter as rédeas de tudo e de todos. Dificilmente aceitamos quando perdemos o controle de alguma situação. Nos sentimos vulneráveis, desamparados, e a angústia de ver tudo saindo de forma diferente do planejado acaba tomando conta de nossas mentes.

No entanto, se pararmos pra pensar, muitas situações que esperávamos por um resultado acabaram tomando um outro rumo – pra melhor. A questão é, será que tudo que achamos que é ruim em nossas vidas realmente é? Será que somos capazes de identificar o que é desfavorável ou negativo para nós, sem termos uma visão ampla do que pode vir a acontecer no futuro? Por que tanto medo das coisas não acontecerem como o planejado?

Segundo o sábio Patanjali – quem organizou o conhecimento do yoga em oito passos conhecidos como Ashtanga – dentro dos códigos de conduta encontramos o Íshvara Pranidhana, ou seja, a entrega total a um controlador supremo. É claro que é importante planejarmos nossas vidas e batalharmos para realizarmos nossos sonhos e metas, mas da mesma forma, é importante sabermos que nem sempre as coisas acontecem como desejamos. Nesta visão, há uma consciência suprema onisciente, que tudo sabe sobre o passado, presente e futuro, pois esta consciência É o passado, o presente e o futuro.

Nós, seres humanos, possuímos sentidos imperfeitos. Avaliamos as situações de acordo com nosso ponto de vista, com nossa bagagem cultural e de uma forma muito limitada. Não temos ideia do TODO, dos motivos pelos quais fatos que independem da nossa vontade ocorrem. A natureza tem seu próprio ritmo, sua própria forma de dançar, e nós estamos no embalo desse som do Universo.

Íshvara Pranidhana é entrega total. É confiar que tudo bem que as coisas não ocorreram conforme desejávamos. É confiar que há uma inteligência muito maior que rege nossas vidas. É entregar de coração o resultado de nossas ações, sem esperar nada em troca. Íshvara Pranidhana é, também, aceitar o que vier, pois tudo acontece conforme deve acontecer. E é agradecer por tudo o que recebemos, seja algo bom, ou ruim. Pois mesmo nas fases mais sombrias que vivenciamos, há um aprendizado muito grande. Nos tornamos mais fortes, mais preparados para a vida. A cada dificuldade desenvolvemos uma força tão enorme que, ao passarmos por ela, olhamos para trás e muitas vezes não compreendemos como fomos fortes.

Entrego, confio, aceito e agradeço. Que possamos falar mais esta frase, que se tornou tão popular pelo querido Professor Hermógenes. E que possamos, além de tudo, agradecer por cada passo que demos em nossas vidas.

Tudo acontece exatamente da maneira como deve acontecer. Apenas entreguem!

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Lifestyle

Uma mensagem de boas vindas ao Chandrika!

05/10/2017

Uma mensagem de boas vindas ao Chandrika! | Camile Carvalho - Chandrika Yoga

Após meses de construção, de anotações, rabiscos e reformulações, enfim o Chandrika está no ar. Chandrika, em sânscrito, significa brilho da lua. Num sentido mais romântico podemos dizer que na escuridão da noite, nos guiamos pela sua refulgência. Se formos pelo lado devocional, da Bhakti Yoga, Chandrika é a forma amorosa como Krishna chamava sua amada Radharani.

Em 2008, quando comecei a frequentar a escola da Bhakti Yoga (yoga da devoção) Vaishnava, meu tão querido mestre espiritual me iniciou com o nome Chandrika Devi Dasi. Sempre fui conhecida com este nome entre amigos e amigas do templo, mas poucos aqui fora sabiam do meu nome. Mas agora senti que é o momento de me expressar com este nome também no meio do Hatha Yoga durante minhas aulas, textos pela internet e em outros campos da minha vida. Afinal, é um nome auspicioso demais para ser usado apenas entre um grupo específico.

Ultimamente tenho dedicado meus estudos à saúde como um todo, abarcando holisticamente o ser humano e entendendo que muitas dores as quais sentimos têm origens muito mais profundas, talvez até ancestrais. Se por um lado nossa sociedade moderna ocidental aborda a ciência como conhecimentos dentro de caixinhas, a visão holística tem uma abordagem mais ampla, integrada, como uma teia. E não apenas o indivíduo é um sistema único, mas também a nossa presença no meio em que vivemos. Nós não estamos na natureza. Nós SOMOS a natureza.

Quando o meio em que vivemos adoece, não é espantoso que também adoeçamos. Todos somos um. Não há separação entre eu, você, e o meio em que vivemos. Não há separação entre o pássaro que pousa em sua janela, entre o rio que corre pelas montanhas nem entre a pedra que nasce, cresce e morre. Todos somos integrados, seres vivos e pulsantes. Nosso planeta pulsa. Nosso universo respira em harmonia.

Por muito tempo tentei me enquadrar em caixinhas. Sou Médica Veterinária, como vou estudar Comunicação agora? Tenho um blog sobre minimalismo, como vou falar sobre yoga? Gosto da meditação budista, como vou frequentar um templo Vaishnava? Passamos o tempo todo nos rotulando, e ao rotularmos o mundo, excluímos outros saberes, outras experiências. Nos retiramos da presença do TODO, perdendo a oportunidade de experienciarmos a grande Teia da Vida.

Yoga e flor de lótus - Chandrika Yoga por Camile Carvalho

Recentemente iniciei oficialmente meus estudos em Ayurveda. Já vinha estudando de forma independente através de workshops, livros e webinários, mas este mês iniciou minha formação. Sinto que neste momento estou abrindo mais uma porta que me conduzirá a  um jardim tão florido, que terei que passar muitos anos admirando, compreendendo e aprendendo sobre cada nova cor que encontrar. O Ayurveda, ciência da saúde tradicional (mais antiga do mundo) nos traz esta compreensão integral e nos coloca como participantes do planeta, não como um homem dominador e explorador que tudo pode. Além disso, também está – junto com o Yoga – me fazendo olhar para dentro, entender melhor meus processos, e me conectar com o sagrado que há em mim. E toda essa experiência me leva a uma época que ficou no passado, em uma caixinha, mas que sou feliz em convidá-la a voltar a fazer parte de mim: o sagrado feminino.

E é com essa energia, da sustentabilidade, dos ciclos da natureza, do autoconhecimento do Yoga e da saúde holística, que inicio timidamente este projeto Chandrika Yoga. Acredito que em breve teremos muitas transformações por vir, à medida em que eu me aprofundar nos estudos Ayurvédicos, iogues e abraçar – ainda mais – a cultura indiana e tantos outros saberes ancestrais que tanto admiro e que sinto um chamado.

Portanto, sejam muito bem vindos(as). Que aqui possa ser um espaço de trocas, inspirações, informações úteis e transformadoras. Este site/blog será um lugar de comunicação entre meus alunos e não-alunos. Entre pessoas de bem, que estão neste caminho de busca, de autoconhecimento e de iluminação. Que eu possa servir de ponte a todos. Que a luz da lua nos guie por essa estrada tão linda.

Namaskar!

Acompanhem minha trajetória pelo Facebook e Instagram. Caso queiram conversar comigo, envie um email para yoga@chandrika.com.br que terei o prazer em responder.

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Inspiração

O inverno, os eclipses e o esvaziamento necessário

09/08/2017

O inverno, os eclipses e o esvaziamento necessário | Camile Carvalho

Não sei se é por influência dos eclipses que estamos observando ultimamente, ou se por causa do inverno – talvez os dois motivos, mas tenho percebido o quanto estou fervilhando por dentro. Após um período de reclusão intenso no qual passei um pouco mais de uma semana sem ânimo, como se estivesse faltando energia, assim que o sol voltou veio com ele a energia de expansão.

Olhei ao meu redor e percebi a bagunça na qual estava inserida. Fiz o declutter mais desafiador das minhas roupas até hoje, mantendo menos da metade do que eu tinha. Desapeguei sem dó, doei, como num impulso de tentar me encontrar naquilo que permaneceu diante dos meus olhos quando abro meu guarda-roupas. Foi uma catarse lidar com todas aquelas emoções que ressurgiram das cinzas, da minha profundeza.

Quando tiramos as coisas do lugar é inevitável: revivemos situações, relembramos de pessoas, momentos bons e ruins, mas o que devemos fazer é apenas sorrir, agradecer por tudo que passamos e seguir em frente. E eu segui.

Meu quarto – extremamente indiano – passou por uma reconfiguração: lençóis neutros, colcha de cama em tom pastel, bancada de estudos livre de qualquer objeto sobre ela. Enfeites, elefantes, velas, incensos, cristais, tudo foi reduzido ao mínimo no meu ambiente. Guardei com carinho em caixas, reorganizei as prateleiras, e enfim, sentei-me sobre meu tapetinho de yoga e apenas respirei. Respirei aliviada por não ter mais distrações. Aliviada por finalmente sentir aquele vazio bom, aquela sensação de página em branco.

Muitas vezes, quando estamos cheios demais, é necessário esvaziarmos. Quem sou? Qual meu estilo? Do que realmente gosto? Como podemos saber se estamos cheios de tantas certezas que transbordam e não permitem olharmos para dentro?

Esvaziar-se é uma dádiva.

O sol devagar volta a aparecer. A temperatura esquenta, pessoas caminham pelas ruas, minhas aulas de yoga ficam mais energéticas. Minha disposição aumenta e aos poucos, meus cristais voltam a enfeitar as prateleiras. Apenas um ou outro que gosto. Acendo um incenso, estendo meu tapetinho de yoga e com olhos fechados, deixo meu corpo fluir nos movimentos. Uma prática leve, fluida, seguida de uma linda meditação. 20 minutos passam voando e logo sou interrompida pelo timer me avisando que é hora de encerrá-la.

Os pássaros cantam me despertando e vou me reconstruindo, ocupando aquele vazio pouco a pouco apenas com o que amo no momento. Apenas com quem quero ser daqui em diante.

Muitas mudanças, transformações intensas e dolorosas, rompimentos com certezas e a vontade de me recriar. Não preciso de tudo isso que ainda carrego nas costas. Minha mochila ainda pesa, ainda tenho muito a deixar pelo caminho. Mas a cada passo que dou, vou avaliando o que permanecerá comigo nessa jornada, e o que fará parte apenas da minha história.

O que você anda carregando na sua mochila da vida? Será que precisa mesmo carregar todo este peso?

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